Ludantia 2018

Fotografia de Jorge Raedó, na página Ludantia https://www.facebook.com/ludantia/photos/

Ao aproximar-se o fim do meu curso de arquitetura e tendo necessidade de encontrar um tema que me despertasse interesse para realizar a minha dissertação de mestrado, fui assistir ao congresso Ludic Architecture – IV Encontro Internacional sobre Dispositivos e Espaços Educacionais em Arquitetura. Foi lá que nasceu o meu gosto pelo ensino da arquitetura às crianças. A partir das várias apresentações de trabalhos desenvolvidos, decidi, então, realizar a minha dissertação de mestrado sobre o tema da arquitetura na educação infantil. Para a sua realização elaborei uma atividade que implementei com crianças, numa escola pública, do 1.º ciclo. Adorei essa experiência por ter contactado diretamente com as crianças e ter percebido que a arquitetura pode ser explicada de uma simples e divertida de modo a que todos a possam compreender. Por isso, decidi juntar-me à Arkiplay para poder dar continuidade a este tipo de trabalho. Foi também por este motivo que decidi ir assistir ao congresso Ludantia – I Bienal Internacional de Educación en Arquitectura para a Infancia e a Mocidade. Para além disso, queria conhecer o que já se fazia sobre este tema em várias partes do mundo.

Foi muito gratificante participar neste evento. Para começar, fiquei surpreendida com a quantidade de pessoas presentes, maioritariamente arquitetas, havendo também educadoras e sociólogas, o que era revelador do interesse que este tema desperta num público variado. Desconhecia que houvesse tantas pessoas a discutir os trabalhos que estão a ser realizados sobre assuntos que relacionem a arquitetura com as crianças. Fiquei também muito agradada com os vários trabalhos apresentados. Para além de serem diversificadas e de diferentes países, as atividades  eram realizadas em contextos socioeconómicos muito diferenciados. A minha admiração foi maior, uma vez que em Portugal a realização deste tipo de trabalhos de educação em arquitetura para crianças ainda se encontrar numa fase muito inicial, existindo poucas pessoas a trabalhar nesta área.

Dentro do tema da educação em arquitetura para a infância, as apresentações do congresso dividiam-se em três áreas principais que destaco, por ter sentido que foram as mais abordadas: as atividades de ensino de arquitetura a crianças; a realização de processos participativos com crianças; e o projeto e construção de espaços, edifícios e cidades apropriados para as necessidades das crianças.

Pessoalmente, a área que mais me interessou foi a das atividades de educação em arquitetura realizadas com crianças, uma vez que é sobre este assunto que estou a trabalhar. Um dos aspetos que achei interessante nas atividades apresentadas, principalmente as realizadas na América Latina, foi o facto de estas conseguirem envolver também crianças de meios socioeconómicos baixos, algo que em Portugal ainda é difícil, uma vez que, normalmente, neste tipo de atividades, aparecem, maioritariamente, crianças com familiares relacionados com a arquitetura. Foi por este motivo que optei por realizar a minha atividade para a dissertação de mestrado em arquitetura com alunos de uma escola pública, de forma a conseguir alcançar crianças de diferentes meios socioculturais.  

Neste âmbito, dos trabalhos apresentados, aqueles com os quais mais me identifiquei foram os realizados em contextos escolares e, em particular, os que procuraram articular os conceitos de arquitetura com os programas curriculares de cada país. Destes, destaco os projetos Little Architect, efetuado em Inglaterra, que adaptou as suas atividades de forma a que estas se articulassem com o currículo escolar, como forma de estas serem realizadas nas escolas e com a aceitação dos professores, e Arkdes – Centro Sueco para a Arquitetura e Design, no qual as atividades que desenvolvem também se articulam com os currículos escolares, como forma de incentivar as escolas a participar neste tipo de atividades.

Esta experiência permitiu-me ver que o que já está a ser feito pelo mundo relacionando a arquitetura com as crianças é muito diverso, muito consistente e com uma finalidade em comum: permitir uma arquitetura mais próxima das pessoas. Esta é também a principal finalidade da Arkiplay, encontrando aqui um espaço para realizar aquilo que é um dos meus projetos pessoais: aproximar a arquitetura das crianças.

Fotografia de Jorge Raedó, na página Ludantia
https://www.facebook.com/ludantia/photos/

Artigo escrito pela ArkiPlayer Inês Rufino 🙂

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