O PLAN chega a Torpignattara, um projeto sobre a inclusão no ensino básico

Tradução de Maria Teresa Penas do artigo de Mariacristina Ferraioli, publicado a 22 de setembro de 2017 no sítio Artribune.

A Escola Básica Carlo Pisacane do bairro de Torpignattara lança um projeto sobre a inclusão social, financiado pelo MiBACT. Estão previstas oficinas de arquitetura e de design, a conceção de quatro itinerários turísticos escolhidos pelas crianças da escola, e também um plano de requalificação e valorização do complexo escolar…

Foto do projeto Plan, cortesia de Francesco Struffi

Inicialmente foi a street-art. Nos últimos anos Torpignattara, um quarteirão histórico na periferia de Roma tão amado por Pasolini, mudou completamente o seu rosto. De bairro popular a quarteirão multi-étnico, Torpignattara foi terreno fértil para o desenvolvimento de um projeto urbano de street-art que, com o apoio do Assessorato alla Cultura, Creatività, Promozione Artistica e Turismo di Roma Capitale, envolveu alguns dos mais importantes artistas italianos em intervenções multiplices, destinadas a requalificar vias abandonadas e edifícios degradados. Por causa da arte Torpignattara é hoje um quarteirão também frequentado por turistas. Permanece, no entanto, o problema da inclusão entre comunidades frequentemente distantes. E, na ótica de uma maior integração social, como não pensar na escola como ponto de partida. Inicia assim o via dalla Scuola Primaria Carlo Pisacane PLAN, o projeto comunitário promovido pelo Istituto Comprensivo via Ferraironi di Roma, concebido e curado pela Melting Pro, primeiro classificado entre os projetos vencedores do desafio “Escola, espaço aberto à cultura”, lançado pelo MiBACT em 2016.

O PROJETO

O PLAN nasce da convicção de que, para reprojetar os lugares e a comunidade deve-se partir da energia creativa das crianças. Daí a nossa colaboração com a Escola Piscane, símbolo de integração no quarteirão multi-étnico de Torpignattara”, diz ao Artribune Maura Romano, gestora do projeto cultural e sócia fundadora da Melting Pro, o Laboratório para a cultura que concebeu o projeto. A Escola Piscane é considerada a escola mais multi-étnica de Roma. Uma parte considerável das crianças que a frequentam tem origens estrangeiras e, nos últimos anos, foram numerosos os projetos didáticos realizados dentro e fora do complexo escolar, para integrar a comunidade, ao ponto desta Escola ser vista como um exemplo virtuoso de inclusão.

Penso que a abordagem cultural deve produzir igualmente um impacto social”, continua Maura Romano, “na convicção de que possa e deva ser motor de mudança e crescimento do capital humano. Estou convencida de que no PLAN a sinergia entre parceiros e a dimensão lúdica do projeto, sejam o verdadeiro valor acrescido no que respeita aos objetivos de regeneração.” Entre os objetivos do projeto está aquele de requalificar e valorizar o património histórico-artístico da escola, construída nos Anos Vinte, e projetar o futuro do complexo escolar, envolvendo diretamente os seus pequenos alunos.

 

O PROGRAMA EM TRÊS FASES

O programa de trabalho prevê três passos fundamentais, que se irão desenvolver entre setembro e dezembro. Uma primeira fase dedicada às intervenções da tutela, com a requalificação e valorização de algumas áreas da escola. Em particular será reestruturado o recreio e construída uma sala de laboratório [ou oficina]. Uma segunda fase de implementação prevê oficinas de arquitetura e design, da responsabilidade da Farm Cultural Park di Favara, o primeiro parque turístico e cultural, nascido na Sicilia a partir de uma iniciativa filantrópica, que envolverá os estudantes romanos no projeto SOU, a primeira escola italiana de arquitetura para crianças. “O projeto PLAN”, sublinha Maura Romano, “prevê iniciar um processo de requalificação do espaço público, tando na sua dimensão infraestrutural quanto relacional. Isto será possível através de oficinas de arquitetura orientadas pela Farm Cultural Park di Favara, com o objetivo de criar objetos e projetos para a escola, e gerar sinais concretos de identidade, em diálogo com o bairro”. A esta segunda fase seguir-se-á uma terceira, com oficinas de storytelling territorial, que nascerá das estórias das crianças que vivem no bairro. Esta fase dará vida a um “arquivo de memória” e a 4 itinerários culturais, com visitas guiadas pelas próprias crianças da escola, e abertas a todos. “Dos laboratórios de storytelling territorial”, conclui a gestora do projeto, “nascerão narrações originais, fruto das experiências relacionais das crianças, ligadas à sua perceção e visão do bairro. A acompanhar as crianças nesta aventura narrativa estaremos nós, da Melting Pro e a Associação Dieci Mondi,

lado a lado com a Associação de Pais Piscane 0-11, já que as mudanças são, acima de tudo, um trabalho de equipa”. A conclusão do projeto, no dia 15 de dezembro de 2017, prevê uma exposição dos projetos realizados pelas crianças e a Festa da Creatividade, com a abertura da escola a todos os cidadãos e à comunidade local.

Foto do projeto Plan, cortesia de Francesco Struffi

  • artigo original escrito por Mariacristina Ferraioli
  • tradução por Maria Teresa Penas

 

Roma// até 15 dezembro 2017

PLAN – Progettiamo luoghi costruiamo comunità

Scuola Primaria C.Pisacane e quartiere Torpignattara

Via di Acqua Bullicante, 30 – Roma

 

Nota de tradução:

MiBACT – Ministério para os Bens Culturais e Ambientais

 

Mariacristina Ferraioli é jornalista, curadora e crítica de arte. Depois da licenciatura em Literatura Moderna com especialização em História da Arte, mudou-se para Paris para fazer ulteriores cursos de literatura, filosofia, e história da arte na Sorbonne (Paris 1 e Paris 3). Realizou o Master em organização e Comunicação das Artes Visuais na Academia de Belas Artes de Brera. Fez a Residência para Curadores da Fundação Dena para Arte Contemporânea do Centre International d’Accueil et d’Echanges des Récollets di Parigi. Trabalhou no Centro Pompidou, colaborando na realização da exposição “Traces du Sacré” e publicou um texto crítico no catálogo da mesma exposição. Coordenou administrativamente o Master dell’Accademia di Belle Arti di Brera e curou exposições tanto em Itália como noutros países. É redatora do Arttribune, colabora regularmente com as revistas Cosmopolitan Itália e Icon Design. Encontra-se a realizar doutoramento em Comunicação e Mercados: Economia, Marketing e criatividade na Universidade IULM em Milão e é docente contratada em diversas instituições, entre as quais a Accademia di Belle Arti di Brera.

Maria Teresa Penas é arquiteta pela FAUP e pós graduada em Planeamento e Projeto do Ambiente Urbano pela FAUP / FEUP. É também formadora, mãe e a fundadora do projeto social ArkiPlay – a arquitetura é para todos!, que desenvolve desde 2013. Com este projeto dá resposta a uma vocação através da qual procura empoderar as crianças, cidadão de hoje de pleno direito, capacitando-as para um exercício cívico consciente, responsável e consequente. Deste modo alerta igualmente os adultos que as rodeiam para a necessidade de todos sermos capazes da mesma postura ativa, sendo a participação pública um direito e um dever. A tradução de textos técnicos, jornalísticos e de divulgação de projetos e iniciativas congéneres é um hobbie recente, que faz com o intuito de alargar o conhecimento em Portugal, de boas práticas espalhadas pelo mundo.

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